sexta-feira, 30 de janeiro de 2009

Nascimento último



by Gilles le Bihan

Como se não tivesse substância e de membros apagados.
Desejaria enrolar-me numa folha e dormir na sombra.
E germinar no sono, germinar na árvore.
Tudo acabaria na noite, lentamente, sob uma chuva densa.
Tudo acabaria pelo mais alto desejo num sorriso de nada.
No encontro e no abandono, na última nudez,
respiraria ao ritmo do vento, na relação mais viva.
Seria de novo o gérmen que fui, o rosto indivisível.
E ébrias as palavras diriam o vinho e a argila
e o repouso do ser no ser, os seus obscuros terraços.
Entre rumores e rios a morte perder-se-ia.

António Ramos Rosa

2 comentários:

heretico disse...

poesia pura...

nessa pulsão do Nada.

beijo

maicher disse...

It seems different countries, different cultures, we really can decide things in the same understanding of the difference!
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