quinta-feira, 30 de outubro de 2008

Nocturne No.1 de Chopin

Intérprete: Maria João Pires

Para ouvir e deixar que a alma se expanda.

quarta-feira, 29 de outubro de 2008

Máximo de tédio no máximo de civilização




Na Terra tudo vive - e só o homem sente a dor e a desilusão da vida. E tanto mais as sente, quanto mais alarga e acumula a obra dessa inteligência que o torna homem, e que o separa da restante Natureza, impensante e inerte. É no máximo de civilização que ele experimenta o máximo de tédio. A sapiência, portanto, está em recuar até esse honesto mínimo de civilização, que consiste em ter um tecto de colmo, uma leira de terra e o grão para nela semear. Em resumo, para reaver a felicidade, é necessário regressar ao Paraíso - e ficar lá, quieto, na sua folha de vinha, inteiramente desguarnecido de civilização, contemplando o anho aos saltos entre o tomilho, e sem procurar, nem com o desejo, a árvore funesta da Ciência! Dixit!

Eça de Queirós, in "Civilização"


Regressar ao paraíso é uma ideia interessante. Mas, após ter experimentado a civilização com os seus bens e males, poderá o homem ser feliz no Paraíso do "mínimo de civilização"?

terça-feira, 28 de outubro de 2008

Poente com chama



by Vida de vidro

Inflama-me, poente: faz-me perfume e chama;
que o meu coração seja igual a ti, poente!
descobre em mim o eterno, o que arde, o que ama,
...e o vento do esquecimento arraste o que é doente!

Juan Ramón Jiménez

domingo, 26 de outubro de 2008

Cantos de uma paisagem antiga (I)





Só a luz dos teus olhos...

Já não sei se chove
Ou se o sol espreita
Só a luz de teus olhos
Me guia e me move
Teu corpo me envolve
Lençol de ternura
Em que o meu se deita.
Já não sei se é dia
Ou noite cerrada
No trilho de ausência
Só espero a alegria
Manhã do teu rosto
Que em mim se reflecte
Só por ser amada.

Só a luz dos teus olhos
Ou noite cerrada.