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sábado, 28 de março de 2009

Slumdog Millionaire



Estrela absoluta dos Óscares deste ano, será que merece os prémios que conquistou? Ficou-me alguma dúvida. Tenta dar uma visão da Índia real, a da miséria, da exploração infantil, da extrema violência. Tem momentos brilhantes e um extraordinário trabalho de câmara. Os actores que, na sua maior parte, não são profissionais, comovem-nos e divertem-nos, como se estar à frente da câmara fosse o seu meio natural. Ainda assim, não foge a alguns lugares comuns e à tentação do “happy end”. Mas, pensando em filmes que, sabe-se lá como, já ganharam este prémio, diria que está bem entregue. Vale a pena ver, para ter “a taste of real India".

terça-feira, 24 de fevereiro de 2009

Benjamin Button



Um dia antes dos Óscares, fui ver o filme. Fiquei com a certeza de que não ganharia. Não porque seja um mau filme, é apenas um filme diferente demais para ser escolhido pela Academia. O ritmo do filme é o de quem conta uma história sem se apressar, parando nos pormenores, nas pequenas coisas que parecem não importar e fazem toda a diferença. A "filosofia" subjacente é de aceitação do que a vida traz e da vontade de a viver como se fosse sempre possível começar de novo. Está tudo nestas duas frases, uma do capitão Mike e outra do prório Benjamin:

" You can be as mad as a mad dog at the way things went. You could swear, curse the fates, but when it comes to the end, you have to let go."

"Along the way you bump into people who make a dent on your life. Some people get struck by lightning. Some are born to sit by a river. Some have an ear for music. Some are artists. Some swim the English Channel. Some know buttons. Some know Shakespeare. Some are mothers. And some people can dance."

Realizador: David Fincher
Intérpretes principais: Brad Pitt e Cate Blanchett

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009

Revolutionary road




Lembram-se de American Beauty? Sam Mendes pega no mesmo tema subjacente, mudando a época, a idade dos protagonistas e, como consequência, algumas razões do seu óbvio mal-estar. Mas a claustrofobia é a mesma, tal como o vazio sem esperança (hopeless emptiness). Nem April nem Frank Wheeler se sentem bem na vida de casal suburbano. Estamos nos anos 50. Ela, dona de casa e mãe de dois filhos, ele, empregado na área de vendas de uma empresa. Quando ela tenta reatar os sonhos com que começaram a vida em comum, uma série de circunstâncias leva a que ele escolha o conhecido, o confortável, em desfavor da aventura. Daí até ao desfecho que se vai adivinhando é um passo. Um enorme passo na mente de April que é, claramente, quem pior se sente e tenta justificar a sua vontade de mudança projectando os seus sonhos no futuro do marido.
Kate Winslet e Leonardo di Caprio reencontram-se na tela, após Titanic. Se, no filme anterior, sempre me pareceu que a escolha de di Caprio tinha sido um erro de casting , dado que tinha o aspecto duma criancinha ao lado da jovem mas bem constituída Kate, já agora o casal me parece bastante equilibrado, conseguindo ambos interpretações de bom nível. O filme deixa, na mente de quem o vê e tem o hábito de se interrogar, uma funda inquietação e várias perguntas sobre as “armadilhas de segurança” em que nos prendemos, ao longo da vida.

segunda-feira, 26 de janeiro de 2009

A troca




Heartbreaking. Absolutamente. Excelente, a realização de Clint Eastwood e a fotografia entre a cor e o preto e branco, criando uma ambiente am sintonia com a história. Na senda dos filmes que nos "dão a volta" por dentro, seja pela violência, pela injustiça ou pela nossa sensação de impotência. Talvez também por ser uma história verdadeira. Pela primeira vez vi em Angelina Jolie algo mais que uma boneca. Consegue uma interpretação que talvez lhe dê o prémio por que todos os actores anseiam. Junto dela, John Malkovich, de quem tudo já foi dito, tantas vezes. A não perder, a não ser por quem se impressiona facilmente.

domingo, 7 de dezembro de 2008

sexta-feira, 7 de novembro de 2008

The Pianist

Para quem não viu ou para quem quer rever. Com atenta intensidade.

terça-feira, 7 de outubro de 2008

A inteligência é relativa




Os irmãos Coen já nos habituaram a filmes, no mínimo, imprevisíveis e nos quais as personagens se "embrulham" em situações sem saída. Entre o humor e a tragédia, aí reside o que nos têm dado desde que começaram no cinema. Basta lembrar Fargo, The Big Lebowski, No country for old man, e bastantes outros. Pela qualidade reconhecida, têm atraído aos seus filmes casts extraordinários. Este "Burn after reading" faz jus à fama dos autores, ainda que não seja o seu melhor filme.




Uma das "frases chave" usadas na divulgação do filme é "Intelligence is relative" e até aqui há um jogo de palavras com o duplo sentido que a palavra "intelligence" pode ter. Afinal, tudo tem uma qualquer ligação à CIA, ainda que nem os que estão "por dentro" saibam bem qual é.




George Clooney, Frances McDormand, John Malkovich, Tilda Swinton e Brad Pitt (olhem só como eu comecei e acabei bem a lista...) têm actuações extraordinárias, num filme que joga com a bastante relativa inteligência das personagens para criar situações extremas. Como chegam lá, só vendo...

quarta-feira, 24 de outubro de 2007

The brave one




Até que ponto o medo nos modifica? Até onde faz aparecer o nosso lado negro? Existe em todos nós um estranho pronto a revelar-se? Uma experiência traumática pode levar-nos até ao abismo?
Questões inquietantes a que este filme pretende dar resposta. Mas não dá, na verdade. Talvez porque suaviza o julgamento moral das acções da protagonista. Talvez porque justifica a justiça pelas próprias mãos. Afinal, as suas vítimas até são os maus da fita.
E ela? É o quê? Será o quê, dali para a frente? Gostar, na realidade, para além da interpretação de Jodie Foster, gostei da “mensagem” que o final deixa: nunca mais ela será a pessoa que era dantes. Deixando à nossa consideração aquilo em que se transformará.

sexta-feira, 17 de agosto de 2007

Breaking and entering




Falamos de assaltos. De conseguir forçar uma entrada. Filme de polícias e ladrões? Longe, muito longe disso. Filme sobre a complexidade dos sentimentos, das relações. Do nosso íntimo. De como somos divididos entre a luz e a sombra. De como amamos de formas diferentes. E de quão difícil é “tocar” o outro, sabê-lo. Entering? No way.

Filme de 2006. Anthony Minghella, realizador com créditos mais que firmados Excelentes interpretações de Jude Law e Juliette Binoche. Robin Wright Penn tem altos e baixos numa complexa personagem que exige contenção e explosão emocional. A contenção está lá (talvez até demais…). A explosão emocional falha.

sexta-feira, 29 de junho de 2007

American Beauty

A claustrofobia da vida em comum. A claustrofobia da vida. Ponto.
Duas interpretações excepcionais.

sexta-feira, 15 de junho de 2007

Pirates will be pirates...




Violento? Pois é. Uma história louca cheia de efeitos especiais? Pois é. Mas eu gosto de Jack Sparrow (na verdade, gosto das loucas personagens que Johnny Depp escolhe). E dos outros. Por isso não perco um. Este já está. Venha o próximo que sempre quero ver que mais vão eles inventar...



Site oficial

sábado, 2 de junho de 2007

Zodiac




Do realizador esperava mais. David Fincher deu-nos Seven e Sala de Pânico, o que diz alguma coisa sobre a sua qualidade em thrillers. Este não é um thriller. É um filme longo e bastante “documental”. E embora nos agarre pela obsessão que as personagens sentem pelo caso, deixa-nos com a mesma frustração com que os investigadores devem ter ficado. Nunca se soube exactamente quem era o Zodiac (apesar da forte tese defendida), nunca foi julgado, nunca se souberam as suas razões para matar de uma forma quase aleatória. Toda a investigação é, praticamente, um beco sem saída.
Um filme que, para quem gosta do género, pode bem ser visto em casa, no conforto do sofá. Sem demasiadas expectativas.



Site oficial
Para saber mais...

quinta-feira, 19 de abril de 2007

300




Baseado na banda desenhada de Frank Miller sobre a Batalha das Termópilas. Aconselhável a quem gostou de Sin City. Um grafismo brilhante. Muito politicamente incorrecto, sobretudo à luz dos tempos que estamos vivendo. Digamos que fazer dos persas "a besta" e dos espartanos "a luz" não será também uma verdade histórica. A ver, de qualquer forma. Pelo cinema.

quarta-feira, 28 de março de 2007

O Bom Pastor




A CIA por dentro, com o episódio da Baía dos Porcos como cenário de fundo. Sem glamour, sem aventura, sem os habituais ingredientes dos filmes de espionagem. De um cinzento burocrático e claustrofóbico.
Muitos flashback tentam explicar como se recruta e se faz um pilar da instituição. Um homem que não conseguimos amar nem odiar. Alguém que quase não fala e não dá grandes sinais de humanidade, a não ser com os dois homens que o formam e com o seu maior inimigo.
Uma óptima interpretação de Matt Damon. Nomes como Angelina Jolie, John Turturo, William Hurt e Robert de Niro compõem o cast. Robert de Niro realizou.

quinta-feira, 15 de março de 2007

O labirinto do fauno




O conto de fadas mais "negro" que já vi. Plasticamente belo e com uma linha narrativa simples. Pode a inocência e a magia que lhe está associada combater a violência? Um filme claramente para adultos que não se esqueceram da infância mas que conhecem as terríveis verdades da vida.



Passa-se em: Navarra, Espanha, 1944
Realizador: Guillermo del Toro (México)
Prémios nacionais: Vencedor do Fantasporto
Prémios internacionais: Vencedor de três Óscares para Cinematografia, Direcção artística, Caracterização.

Site oficial

sexta-feira, 9 de março de 2007

Notes on a scandal




Terrível. Absolutamente “british”. Notável, a caracterização do mundo perfeitamente claustrofóbico de ambas as personagens. E qualquer filme com Judi Dench e Cate Blanchett é imperdível...

domingo, 25 de fevereiro de 2007

Cartas de Iwo Jima




Uma boa ideia de partida. A batalha de Iwo Jima vista pelo japonês simples, com família, e que, de todo, não deseja ali estar nem pela Pátria nem pelo Império. Mas falta um "golpe de asa". Um salto por cima dos clichés. De Clint Eastwood esperava mais. Mesmo que, no conjunto, seja um filme a ver, juntamente com "As bandeiras dos nossos pais". Para fechar a saga de Iwo Jima.

segunda-feira, 29 de janeiro de 2007

Blood Diamond




África sem paliativos. Com paisagens manchadas de sangue, sem animais mais ferozes que o homem. Com imagens que nos ferem como facas. Porque sabemos não serem diferentes da realidade. Algumas concessões ao mito da redenção do anti-herói, como "defeito" habitual.
TIA - this is Africa. Para nossa vergonha.

segunda-feira, 22 de janeiro de 2007

Scoop




Woody Allen de volta aos ecrãs, também como actor, de volta à comédia, de volta a Londres. Scarlett Johansson, a musa actual, sempre a não perder. Uma comédia "silly", talvez. Mas com a marca inconfundível de Woody.

sexta-feira, 5 de janeiro de 2007

Babel




A incapacidade de comunicação e entendimento dos outros coloca seres humanos em situações de confronto e risco máximo. Fio condutor de uma peregrinação (interior e exterior) pela enorme torre de Babel que é, de facto, este mundo.